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Cuidado: não anule sua profissão por causa do seu cônjuge.
Em: 13/08/2016 por: Giovanni Coutinho
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Certa vez fui com a minha família passar um fim de semana na casa de um casal amigo. Naquela ocasião, conhecemos uma amiga deles, que vou chamar aqui de Maria (nome inventado por mim para preservá-la).

Maria estava com sua pequena filha, e demonstrava um semblante abatido, de uma pessoa cansada ou que dormia pouco. Era simpática e falava baixo.

Depois de algumas horas, a conversa escorregou para assuntos profissionais. Maria contou que trabalhava durante o dia e estudava à noite. Ela era enfermeira e sempre teve a ambição de cursar um mestrado, e em seguida o doutorado.

Seu desejo era fazer carreira no mundo acadêmico, lecionando em universidades e participando de projetos de desenvolvimento na área da saúde, junto com seus alunos e outros profissionais do setor.

Aliás, era um desejo que se arrastava por 20 anos, e que agora, finalmente estava começando a ser colocado em prática. Mas os desafios eram enormes, pois era divorciada, cuidava de uma filha pequena, e tinha uma vida financeira limitada.

Anulando seus planos em favor do desenvolvimento do cônjuge

Depois, conversando a sós com meu amigo, ele me contou a história de Maria e Marcos (outro nome fictício), quando ainda eram casados.

Marcos era bastante ambicioso, e queria voar alto em sua carreira executiva. Desde que se casou com Maria, sempre deixou bem claro que queria crescer profissionalmente, e que não mediria esforços para isso.

Filho de pais de classe média baixa, ele estava decidido a ter uma vida financeira melhor. Em 10 anos de profissão já ocupava um cargo de diretoria em uma grande empresa multinacional.

Com 15 anos de profissão, falava 3 línguas estrangeiras fluentemente e havia feito dois MBAs executivos fora do Brasil. Mirava participar da equipe de vice-presidentes ainda naquele ano.

Sua rotina intensa de trabalho incluía viagens, almoços de negócios, hospedagem em hotéis luxuosos e uma apresentação visual impecável.

Nestes últimos 15 anos ele e sua família já tinham se mudado de cidade cinco vezes, e morado por 4 anos fora do Brasil.

Numa rotina assim, Maria nunca conseguiu evoluir com seus planos profissionais. Ficou sempre na retaguarda, cuidando do lar, depois da filha, e realizando alguns trabalhos pontuais.

Quando surgiam algumas boas oportunidades profissionais para ela, logo tinha que interromper para acompanhar seu marido.

O final não foi feliz

Então meu amigo me contou que certo dia Maria teve uma conversa mais séria com marido. Ela percebia que ele estava cada vez mais distante da família, e nunca tinha tempo para ficarem juntos.

Sempre trabalhando, sempre viajando ou fazendo algum treinamento. Ele retrucou, dizendo que não era o momento de mudarem o modo de fazer as coisas. Maria insistiu, e Marcos se irritou.

Depois de alguns meses em frequentes discussões, Marcos disse que Maria já não era a mesma pessoa. Ela não se arrumava direito, tinha conversas pouco intelectuais, enfim, tinha se tornado uma mulher desinteressante.

Três meses após o divórcio, Marcos já estava se relacionando com outra mulher. Era executiva também, mas de rede de faculdades. Ambos bem sucedidos e com pensamentos parecidos.

Curioso pensar que Maria, se tivesse se desenvolvido profissionalmente junto com Marcos, poderia estar ocupando posição similar, uma vez que ama o mundo acadêmico.

Buscando o equilíbrio

Esta história da vida real se repete frequentemente, ainda que com algumas variações. No entanto, mantém sua essência, onde um dos cônjuges (normalmente a mulher) termina por anular sua vida profissional para que o outro possa avançar mais rápido.

Márcio não precisava ter ido tão longe ao ponto de desmanchar sua família. Ao invés disso, poderia ter ponderado melhor as coisas para que Maria também pudesse avançar na carreira dela. Assim cresceriam juntos, e continuariam sendo interessantes um ao outro.

Uma coisa é fato: na ausência do cônjuge que era o único (ou o principal) provedor financeiro da família, os demais membros da família vão enfrentar dificuldades de toda a espécie. E não importa se o motivo é um divórcio ou até uma morte prematura.

Alguns cuidados para evitar os problemas

Se ambos têm o desejo de se desenvolverem profissionalmente, é necessário que ambos cedam e entendam as necessidades do outro.

Procure traçar um plano de desenvolvimento profissional e financeiro que inclua os dois. A cada três meses aproximadamente, verifiquem se o plano está sendo seguido ou se precisa de ajustes.

Há casos onde um dos cônjuges prefere ficar cuidado dos afazeres da casa e dos filhos, ainda que por apenas alguns anos. Tudo bem, mas ter um único provedor financeiro para o lar aumenta os riscos para quem não gera renda.

Para casos assim, é mais desejável ainda a contratação e manutenção de um bom seguro de vida. Este instrumento financeiro deverá ser capaz de proporcionar conforto para a família no caso de falecimento do provedor financeiro do lar.

E se ambos trabalham, considerem fazer seguros cruzados, para que ambos tenham proteção financeira se um dos dois sofrer o infortúnio da morte.

E no caso de divórcio, fica o recado para a “parte mais fraca” (que no caso da nossa história, foi a Maria). Não abra mão de seus direitos. O fato de não estar “trabalhando” não diminui sua importância quando ambos estavam juntos.

Maria contou que abriu mão de muitos recursos financeiros em seu processo de divórcio, para acelerar as coisas e ficar livre daquele redemoinho de sofrimento. Também disse que se arrependeu, mas prefere não mexer mais com isso.

Conheço caso de muitas pessoas que tiveram atitudes similares e hoje passam severas dificuldades financeiras, que somadas com as dores emocionais, dificultam a reconstrução da vida em todas as suas esferas.

Conclusão

Pessoas que gostam de trabalhar e experimentam uma rotina produtiva são pessoas mais felizes, mais bem humoradas e seguras de si. Tudo isso irá refletir numa vida familiar agradável.

Portanto, jogue no mesmo time do seu cônjuge, como uma equipe em boa sintonia. Assim os resultados serão muito melhores, e a vida terá um sentido mais amplo. E claro, jamais esqueça dessa palavra mágica: equilíbrio!

Para finalizar pense nisso: sozinho você até consegue ir mais rápido, mas junto com outras pessoas, você irá mais longe. Um grande abraço e até a próxima!

Giovanni Coutinho: Empreendedor, colaborador do Dinheirama e praticante da educação financeira como estilo de vida. Trabalhou por 18 anos com tecnologias da informação e comunicação nas áreas de operação, marketing e vendas. Engenheiro pelo INATEL, possui pós-graduações em Administração e Economia Financeira pela Unicamp.

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