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Série: 10 tendências para os próximos 10 anos, Episódio: 1, o Fim das Carreiras
Em: 13/10/2015 por: Daniel Orlean

O início

Passei os últimos 10 anos da minha “carreira” totalmente imerso no mundo da gestão de pessoas e carreiras e bastante envolvido com temas como inovação, tecnologia, cultura corporativa, mercado e educação — livre, continuada e corporativa.

De uns tempos para cá, comecei a me intrigar não com a velocidade das mudanças que vivemos, mas sim com a aceleração dessas mudanças. Se é um clichê dizer que no mundo, tudo muda muito rápido, é ainda mais inquietante perceber que, além disso, o mundo muda, sim, muito rápido — só que é cada vez exponencialmente mais rápido. Não é só a velocidade que está aumentando. A aceleração também. E esse mundo não nos dá o menor sinal de mudar ou ao menos de sossegar essa tendência — muito pelo contrário.

E, por falar em tendências e evidências, aproveitei minha estreia aqui no Medium para compartilhar com vocês o início de uma série de 10 tendências que, se confirmadas — e eu sou capaz de apostar alto que serão — impactarão com bastante força o mundo que conhecemos.

Começo hoje com a primeira tendência, o fim das carreiras.

1) O Fim das Carreiras

Prepare-se. Você terá que começar de novo. E de novo. E de novo. E talvez de novo, para sempre. E esse sempre pode e deve ser mais longo do que você sempre pensou.

Diversas evidências apontam para mudanças que decretarão fim do que conhecemos como “carreira”: uma sequência profissional ascendente dentro de uma área de atuação, com desenvolvimento contínuo de competências e acúmulo de resultados — glórias e infortúnios.

E, por mais que nos esforcemos, estejamos atualizados e coisas do tipo, nada disso adiantará. Os “fins das nossas carreiras” chegarão de formas avassaladoras. Não será, em grande parte dos casos, culpa sua, mas um contexto inevitável e incontrolável.

Vamos a alguns fatos e estimativas.

Sobre empresas, profissões e inovações …

a) Os próximos 100 anos trarão o impacto de inovação equivalente aos últimos 20.000 anos. Não sou eu quem está dizendo, mas Ray Kurzweil, um dos maiores futuristas de nosso tempo. Isso significa, com alguma licença poética, que tentar prever o que acontecerá em 2115 será tão preciso quanto a visão que nosso ancestral que viveu no ano 18.000 a.C tinha dos dias de hoje.

b) Estima-se que 60% das profissões que dominarão os próximos 10 anos ainda não existem. A previsão é de Thomas Frey, do DaVinci Institute. O CBRE Institute publicou uma pesquisa dizendo que 50% das profissões de hoje se tornarão obsoletas até 2025.

c) Aposta-se que 40% das empresas existentes não estarão mais no mercado ao fim dos próximos 10 anos. A previsão foi divulgada no discurso CEO da Cisco John Chambers, antes de sua anunciada aposentadoria.

d) O mundo é VUCA: volátil (a alta velocidade e a intensidade das forças que impulsionam as mudanças), incerto (sofre de imprevisibilidade), complexo (muitos fatores estão envolvidos em qualquer transformação) e ambíguo (existem diferentes maneiras e pontos de vista para entender e analisar os fatos), do acrônimo original em inglês.

Com tudo isso, o conceito de ensino profissional começa a ver ameaçado um de seus pilares, que é o de preparar o trabalhador para o mercado. Cursos de 2, 4 ou 5 anos correm grandes riscos de permanecer capacitando pessoas para empregos que logo deixarão de existir, usando tecnologias e ferramentas ultrapassadas e processos obsoletos quando esses profissionais terminarem suas trajetórias de formação. Se mantiverem a abordagem ferramental e instrucional, perderão o caráter formador e manterão apenas o diplomador — até quando ainda valerem seus diplomas e certificações.

Ou, invertendo a narrativa, como muito bem posicionaram Karl Fisch e Scott McLeod na apresentação “Did you Know? Shift happens!”: Estamos “preparando” estudantes para empregos que ainda não existem, para resolver problemas que ainda não surgiram, usando tecnologias que ainda nem foram inventadas. Que futuro podemos esperar — ou construir, se nem sabemos para onde vai o mundo em que vivemos?

Sobre nossas vidas…

a) A expectativa de vida ao nascer das pessoas aumentou mais nos últimos 50 anos do que nos 5000 anos anteriores. E a taxa continua acelerando. Quando nasci, há menos de 40 anos atrás, a expectativa de vida para homens ficava próxima dos 60 anos. Atualmente, já se fala de 80 anos. Foram quase 20 anos em quase 40 anos.

b) 2/3 das pessoas que chegaram aos 65 anos na história estão vivas. Mais gente ultrapassa essa barreira, e mais gente se mantém, ativa, nessa faixa etária.

c) Em 2025, daqui a 10 anos, devemos ser um país com 32 milhões de idosos.

d) Não é exagero dizer que muitas pessoas já estão chegando a “quarta idade”.

Ou seja: vamos viver mais, vamos viver melhor, mas a solidez nossas carreiras seguirá a linha contrária da longevidade. Tudo mudará cada vez mais rápido e, quanto mais tempo estivermos no mercado, maior a chance de testemunharmos o fato de que as estruturas como conhecemos hoje não mais resistirão como são.

Como avaliamos esse cenário? Bom? Ruim? Apenas um fato. Não adianta julgar ou avaliar de forma subjetiva. São tempos curiosos, mas que afetam a todos.

As palavras determinantes, então, são: versatilidade, resiliência, disponibilidade, empreendedorismo e autogogia (ok, essa palavra não existe. Mas tudo muda muito rápido e logo ela ganhará um significado).

Em resumo, a capacidade de reinventar sua vida e sua “carreira” será sua maior e mais valiosa competência.

Versatilidade para poder assumir diferentes desafios ao longo dos tempos.

Resiliência para não se deixar abater.

Disponibilidade para entender e se engajar de forma contínua em diferentes realidades.

Empreendedorismo para saber identificar problemas e propor soluções.

E autogogia — um novo termo — para a capacidade de desenvolver continuamente a si mesmo.

Mas como planejar nosso desenvolvimento, se não sabemos o contexto de mundo quando chegarmos lá? Qual o melhor caminho a seguir? De fato, nenhum de nós sabe. Apenas tem ideias e alguns objetivos de vida.

Mas como disse certa vez Dwight Einsenhower, “Planos são inúteis, mas o planejamento é imprescindível”.

Assumir uma atitude de desenvolver seu repertório continuamente tornará você cada vez mais capaz de buscar aquilo que precisa, onde e quando precisar.

Funciona como uma ginástica para seus “músculos de aprendizado”, que estarão cada vez mais aptos a realizar os “exercícios de reposicionamento”, quando um novo desafio, um novo problema se apresentar.

Isso tudo sem falar na capacidade que você desenvolverá de inovar na interseção de seus conhecimentos — juntando elementos de áreas diferentes para conceber soluções inovadoras para problemas inéditos, ou que ainda não encontraram soluções satisfatórias ou otimizadas.

Aprender a aprender, e aprender, sempre.

E você, o que acha disso?

 

Daniel Orlean: Sócio-fundador da Affero Lab, Especialista em Inteligência Organizacional e Gestão do Conhecimento, Mestre em Informática e Engenheiro de Computação.

Responsável pela implantação de projetos de Educação Corporativa, Gestão do Conhecimento, Planejamento Estratégico e Gestão de Talentos em dezenas de organizações entre as TOP 500.

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