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Desligamento Responsável
Em: 08/10/2015 por: Por Andressa Messias

Ser demitido, em qualquer circunstância, é muito dolorido para qualquer ser humano. Fere o ego, a autoestima e o valor próprio. O colaborador que é dispensado passa a questionar seu valor profissional e pessoal, e a sensação de fracasso é eminente. E se ao acaso a demissão coincidir com qualquer outra fase ruim da vida deste profissional, como um problema familiar ou de saúde por exemplo, está feito o estrago emocional.

É um momento muito delicado para não ser considerado de forma mais humana pelas empresas e seus RHs. Quem trabalha com pessoas deve prezar pelas PESSOAS, independente se é na admissão ou demissão. A responsabilidade empresarial para com seus funcionários vai muito além do período registrado em carteira. É preciso consideração, e mais do que isso, é preciso oferecer suporte as PESSOAS desligadas para não acarretar prejuízos psicológicos.

Um processo de desligamento responsável inicia antes mesmo do aviso de demissão, começa com o planejamento responsável da demissão. Para isso, é preciso conhecer as PESSOAS que serão desligadas, qual é o momento da vida desse colaborador e em que época a demissão se dará. É preciso prever o impacto emocional para minimizar seus danos.

Já ouvi muitos casos de desligamentos irresponsáveis, realizados em épocas de natal, no dia do aniversário ou logo após a perca um ente querido da família... (absurdo!)... e por aí vai a IRRESPONSABILIDADE de algumas empresas com seu capital humano. E vale lembrar que parte dessa irresponsabilidade também é culpa do RH, que de alguma forma consentiu que a demissão acontecesse nestas condições. Justamente o RH, setor que deveria zelar pelas pessoas de uma organização. Triste realidade de um RH que não conhece seus colaboradores e que perdeu seu foco de trabalho.

A segunda etapa de um desligamento responsável é a demissão propriamente dita, o momento em que o trabalhador recebe o aviso. A pessoa incumbida de dar a notícia (ou o gestor, ou o RH na maioria das vezes) deve ter em si uma característica essencial para esse momento: a empatia. Nada mais nobre do que se colocar na posição do outro para escolher a melhor maneira de falar, sempre com muito respeito, mas também sem muitos pesares.

Aqui não cabe elogios do tipo: “você é um ótimo funcionário, muito dedicado, MASSSS...”. Elogios fora de hora demonstram insegurança e inexperiência em desligamentos responsáveis e soam como falsidade neste momento. Sem contar que podem gerar uma confusão mental no funcionário demitido - “se sou ótimo funcionário então porque está me demitindo? Se me dedico tanto a essa empresa, então o que estão fazendo é uma falta de consideração comigo!”

Também não é o momento para críticas ao profissional. Aqui as únicas coisas que se encaixam são: a empatia, o respeito e a solidariedade. Se existe algo que você possa fazer por aquele profissional, coloque-se a disposição, mas se não tem nada a oferecer então não prometa nada (é mais digno).

Um desligamento responsável não termina aí, passa para a terceira etapa: orientação na busca de um novo emprego. Alguns profissionais trabalham por muitos anos na mesma empresa antes de serem demitidos. Já não conhecem o mercado de trabalho, não sabem como fazer um bom currículo, e apesar de tantos recursos on line, muitos não sabem nem onde procurar.

Cabe a empresa e seu RH orientá-los da melhor forma e atualizá-los quanto as ferramentas de busca. Se possível disponibilizar um tempo para ajuda-los a fazer um novo currículo. Afinal de contas, quem melhor do que o RH para dizer como deve ser um bom currículo?

A próxima e última etapa de um desligamento responsável é oferecer suporte para recolocação profissional. São sessões que o auxiliam a definir um novo projeto profissional, pois no processo de demissão o funcionário questiona sua carreira, suas habilidades, suas economias. Pode ser um momento de grandes mudanças positivas! Alguns se descobrem empreendedores, outros optam por iniciar uma carreira autônoma, alguns decidem por um intercâmbio, outros optam em trocar de área, enquanto outros decidem especializar-se.

Este é um momento de muita reflexão e a empresa pode oferecer, além das sessões, simulações de entrevistas para que o ex-funcionário possa ir se familiarizando com os processos seletivos. Assim, o profissional fica mais seguro e a conquista de um novo emprego torna-se mais fácil.

Vivemos uma triste realidade de demissões em massa, mas não podemos utilizar isso como justificativa e omitir-se das responsabilidades para com o capital humano. Se você é o empregador, ou gestor ou o RH de uma empresa, pense nisso! Sua empresa também tem ganhos. São passivos trabalhistas que diminuem, é a valorização profissional vista pelos colaboradores que ficam, é o respeito pela sua empresa que aumenta, é o sentimento de orgulho de pertencer a uma organização que se preocupa com seus colaboradores!

 

Andressa Messias - Psicóloga empresarial / Gerente de RH

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