Newsletter

Cadastre-se e receba nossos informativos

Nome:
Email:
 
Artigos
Empresas estimulam participação de líderes nas áreas operacionais
Em: 29/09/2014 por: Gustavo Coltri - economia.estadao.com.br

Antes de assumir efetivamente o posto de diretor de marketing da rede Outback Steakhouse, no início de 2012, Antonio Marchese, hoje com 40 anos, sentiu o peso da rotina dos colaboradores que atuam na operação do negócio. Ele passou um mês dentro de um de um dos restaurantes da rede na capital: lavou pratos, limpou o chão e viveu a agitação das sextas-feiras.

“Senti mesmo o físico, porque não sou acostumado a ficar tanto tempo de pé. Sempre fui uma pessoa com carreira mais voltada para o lado corporativo, tralhando atrás de uma mesa, e ir para lá foi difícil. Mas, por outro lado, foi interessante conhecer a cultura da empresa de perto, a realidade de mais de 5 mil pessoas que fazem o negócio.”

Além do contato com as pessoas, outros dois fatores engrandeceram a experiência de Marchese: o conhecimento mais profundo das rotinas dos restaurantes, útil para que as ações de marketing fossem exeqüíveis, e os insights que surgiram a partir das situações presenciadas em campo.

“No meu treinamento, percebi que tínhamos um grande fluxo de famílias ativas no fim de semana, e o Outback não é exatamente voltado para crianças. Mesmo assim, tivemos a idéia de colocar uma plataforma com recreadores infantis nos fins de semana e até de adaptar alguns pontos do kid’s menu”, conta.

O Outback não é uma franquia: todos os donos das unidades são sócios, e 65% deles começaram na operação. “Muitas vezes, você fica de sombra do waiter e percebe que lá estão os futuros sócios. Também vê que pessoas muito mais humildes trabalham com animação.” A cooperação e o relacionamento caloroso entre os funcionários marcou Marchese.

A experiência prática do executivo é um retrato típico do cenário atual do mercado corporativo. A necessidade de fazer dos líderes bons conhecedores dos negócios aproximou-os da prática operacional, com benefícios tanto para as organizações quanto para os profissionais.

“Na verdade, esse modelo de gestão é o dos presidentes do futuro. Quem não tiver conhecimento dos processos passará por dificuldades sérias”, diz o sócio presidente da consultoria BR Talent, Adriano Araújo.

Para ele, a maior capacidade de engajar dos colaboradores é um ponto a favor dos executivos que se aproximam da execução: “O gestor tem de estar junto a sua equipe. No varejo, é difícil uma pessoa trabalhar de segunda a domingo. Se ela vir o seu executivo ao lado, ajudando, vai ser energizada.” Araújo diz ainda que a participação efetiva dos executivos no dia a dia das equipes pode contribuir para que os trabalhadores se sintam mais valorizados.

O especialista em recursos humanos Rodrigo Anunciato também ressalta a oportunidade de os gestores colherem informações para ajustarem processos. “Muitos aprimoramentos organizacionais podem surgir desses trabalhos.”

As companhias, por outro lado, têm a oportunidade de reduzir ruídos de comunicação, na avaliação da diretora da consultoria People & Results, Maria Candida Baumer de Azevedo. “Em uma empresa pequena, o job rotation (em que o executivo muda de área para conhecer uma outra estrutura organizacional, mas de mesmo nível hierárquico ao seu) e outras experiências não fazem sentido, porque geralmente a estrutura é bem menor. Mas eles são importantes para as grandes companhias, que tem muito mais distanciamento em questão de níveis hierárquicos.”

Colocar um gestor no meio dos colaboradores no “chão da fábrica”, não pode ser realizado de qualquer maneira, no entanto. Segundo a especialista, a transparência das empresas no momento da realização é essencial. Em outras palavras, os funcionários devem entender por que um determinado líder vai acompanhá-lo por alguns dias na rotina – no Outback, por exemplo, todos os contratados passam pela operação no treinamento inicial, o que já prepara as equipes para as visitas.

Além disso, o gestor tem uma função fundamental no sucesso da experiência, segundo os especialistas. E o desafio dele é exatamente saber se envolver.

A capacidade de se comunicar com diferentes públicos e, acima de tudo, de ouvir o que colaboradores da base da pirâmide organizacional têm a dizer são alguns dos pontos mais importantes de uma boa experiência operacional dos executivos.

“Se o colaborador vê no líder uma pessoa inacessível, ele pode resistir ao relacionamento. Mas se o executivo mostra que quer aprender, de maneira mais aberta, muitas vezes a resistência cai por terra”, diz o especialista em RH Rodrigo Anunciato. “Cria-se muita fantasia por causa da diferença hierárquica, mas, naquele momento, o líder é um profissional como outro qualquer.”

Adriano Araújo, da BR Talent, diz que a demonstração de abertura dos líderes para conhecer as rotinas operacionais deve ser clara, porque sempre haverá uma barreira de relacionamento. “Há executivos que entram na área de operação e só querem fazer reuniões. Eles têm de fazer um esforço.”

O diretor executivo da recrutadora Talenses, João Márcio Souza, acredita que a integração dos profissionais de alto escalão nas áreas de operação passa pelo que ele chama de “escuta empática”: no chão da fábrica, os gestores devem não só ouvir as sugestões, devem mostrar efetivamente que farão algo a respeito dos problemas. “Essa é uma questão central de liderança. Quanto mais a pessoa sobe na hierarquia, mais tem de servir as pessoas.”

Construtivo. Maria Candida Azevedo, da People & Results, pede também que os executivos demonstrem respeito aos métodos adotados antes de proporem mudanças. “Eles não podem chegar só para criticar ou para dizer que todo mundo está fazendo algo errado. Tudo começa pela humildade, ir para uma nova área para aprender.”

Mais artigos:
21/07/2017 - Público do CONCARH cresce 22% em relação às edições anteriores
13/10/2016 - Os motivos que fazem a carreira em Recursos Humanos estar em alta
11/10/2016 - A geração que encontrou o sucesso no pedido de demissão
28/09/2016 - e-Social: agora é pra valer!
 
Associação Brasileira de Recursos Humanos Litoral - Regional Itajaí
Sistema Nacional ABRH
Fone: (47) 3342 8877
Rua Samuel Heusi, 463 - Sala 207 - Centro
88301-320 - Itajaí - SC
Todos os direitos reservados 2009.
Desenvolvido por Ydeal Tecnologia.