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O RH está ficando cada vez mais masculino
Em: 11/06/2014 por: Fernanda Bottoni

São Paulo - Foi em Paris, em julho de 2009, quando estava expatriado havia mais de dois anos, que o engenheiro Ilder Camargo, então diretor técnico de Stainless Europe da Aperam South America, recebeu o convite para assumir a diretoria de RH para o Brasil e a América Latina.

A mudança foi uma surpresa para o executivo que tinha trilhado toda a carreira em áreas operacionais. Dois anos e meio depois, o mesmo tipo de convite foi feito a Luiz Thomé de Souza, outro executivo que só tinha trabalhado em áreas de negócios ou corporativas até assumir o RH da empresa aérea Gol.

No início de 2013, foi a vez de Paulo Miri, que trocou a vice-presidência de suprimentos pela de RH na Whirlpool, fabricante de eletrodomésticos.

Doze anos antes, José Ricardo Amaro, diretor de RH da Unipar Carbocloro, do setor de cloro-soda e derivados, já tinha feito movimento parecido. Ele acabara de trocar 17 anos de experiência em auditoria por um cargo na área de pessoas da Brasil Telecom. 

O movimento feito pelos quatro executivos tem acontecido com cada vez mais frequência nas companhias. Geralmente, o topo da empresa tem olhado para seus profissionais mais estratégicos e lançado a eles o convite para assumir a área de gestão de pessoas.

A consequência curiosa dessa migração é que a área de recursos humanos — tradicionalmente feminina — está sendo dominada pelos homens. De acordo com a pesquisa Top Executive Compensation, feita com 322 empresas pela consultoria Hay Group, a concentração de mulheres no RH vem diminuindo, especialmente quando consideramos o primeiro nível.

O estudo aponta que, em 2008, 21% das executivas participantes da pesquisa ocupavam a diretoria de recursos humanos. Em 2013, essa fatia caiu para apenas 14%. Sim, uma das explicações para esse fenômeno é o fato de mais mulheres terem optado por carreiras em outras áreas da empresa.

Mas a principal razão da evasão feminina do RH é a busca da própria companhia por profissionais de outros setores — já dominados por homens — para assumir a gestão de pessoas. Segundo Daniela Simi, diretora do Hay Group, há dez ou 15 anos o RH era muito mais feminino porque estavam lá pessoas oriundas do curso de psicologia, historicamente escolhido mais pelas mulheres. E isso mudou. 

Se, antes, os psicólogos — como lembra Daniela — eram os mais cotados para liderar a área, hoje os administradores de empresas — e entram aí também os engenheiros — são os preferidos. 

Mudança de perfil

Segundo o último levantamento feito pela Fundação Instituto de Administração (FIA) na pesquisa que dá origem ao Guia VOCÊ S/A — As Melhores Empresas para Você Trabalhar, 24,7% dos líderes de RH são administradores de empresas. Em segundo lugar, aparecem os psicólogos e em terceiro — e crescendo — os engenheiros. 

Na relação dos 22 vencedores do Prêmio VOCÊ RH — Profissional do Ano (13 homens e nove mulheres), por exemplo, a maioria (sete profissionais) graduou-se também em administração de empresas. Apenas cinco fizeram psicologia — todas mulheres. 

Rodrigo Saez, diretor de recursos humanos da Lenovo Brasil, que construiu toda a carreira em RH e acompanhou de perto essa transformação, acredita que a busca por uma nova formação de profissionais para assumir o RH é consequência da nova função que vem sendo exigida da área.

Antes mais focado na relação humana, hoje o líder de RH precisa saber ler um planejamento estratégico e traduzir pessoas em números. “Há 15 anos, éramos um departamento de pessoal que pagava férias e salário e cuidava do desligamento das pessoas”, afirma Saez.

“Hoje, definimos métricas para avaliar resultados e pagar os profissionais por meritocracia, desenvolvemos competências e habilidades e fazemos a conexão de tudo isso com o entendimento do negócio.”      

Fonte: Exame.com

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